quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
VOTO PARA 2010
Meus amigos, o meu grande voto para 2010 é que todos possam comer, ou ser comidos, por quem mais desejarem.
FELIZ 2010!
Eu comi a Madonna
Me esquenta com o vapor da boca
E a fenda mela
Imprensando minha coxa
Na coxa que é dela
Dobra os joelhos e implora
O meu líquido
Me quer, me quer, me quer e quer ver
Meu nervo rígido
É dessas mulheres pra comer com dez talheres
De quatro, lado, frente, verso, embaixo, em pé
Roer, revirar, retorcer, lambuzar e deixar o seu corpo
Tremendo, gemendo, gemendo, gemendo
Ela 'tava' demais,
Peito nu com cinco ou seis colares,
Me fez levitar em meio a sete mares,
E me pediu que lhe batesse,
Lhe arrombasse,
Lhe chamasse de cafona, marafona, bandidona.
Fui eu quem bebi, comi a madonna
Fui eu quem bebi, comi a madonna
Chegou com mais três amigas, cinta-liga,
Perna dura, dorso quente
Toda língua e me encoxou
Me apertou, me provocou e perguntou:
Quem é tua dona? Quem é tua dona? É, é
Fui eu quem bebi, comi a madonna
Fui eu quem bebi, comi a madonna
Ana Carolina
sábado, 14 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
DIREITOS HUMANOS

No dia em que se celebram os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, é bom recordar os muitos artigos que estão esquecidos.
Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração humanos;
Considerando que é essencial a protecção dos direitos humanos através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;
Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;
Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais humanos, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;
Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais;
Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso:
A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal
dos Direitos humanos
como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS,pdf
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
11 DE SETEMBRO

E lá passou mais um dia 11 de Setembro, uma data que ficará para sempre marcada como uma das mais negras da história da humanidade.
Foi há sete anos que um grupo de fanáticos cometeu o mais horrível atentado terrorista da história da humanidade. Estes acontecimentos despoletaram outras guerras, novos confiltos, mais ódio e muitas mais mortes. Tanta coisa que custa a crer que foi só há sete anos atrás.

Também no dia 11 de Setembro, mas de 1973, dava-se no Chile o golpe militar que viria a instaurar a sangrenta ditadura de Pinochet.
Foi nesse dia que as tropas cercaram o Palácio de La Moneda, sede do governo onde se tinha refugiado o Presidente Salvador Allende. A resistência era impossível, para evitar ser capturado, Allende preferiu o suicídio.
Teve mais sorte que muitos dos seus apoiantes que escaparam com vida e foram encarcerados no Estádio Nacional do Chile, transformado em campo de concentração.
Apesar de figurar ao lado de Hitler, Estaline e Pol Pot, na lista dos maiores monstros do século XX, Pinochet não deixou de ser considerado como um católico modelo, pelo Papa João Paulo II durante uma viagem oficial ao Chile em 1987.
Isto lembra-me que muitas pessoas, à esquerda e à direita, classificam as ditaduras de acordo com as cores políticas ou motivações religiosas.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
segunda-feira, 23 de junho de 2008
S. JOÃO

Quero mandar um grande abraço aos meus amigos da "inbicta" e desejar-lhes uma grande noite de S. João.
Este poema do Botto é dedicado a todos vocês.

Aguarela Sombria (excerto)
A tarde vem
Num desfolhar de pétalas cinzentas
E amarelas e lilases-
E as raparigas em coro
- Raparigas e rapazes,
No terreiro da ermida,
Bailam suspiram e cantam
Envolvidos na ilusão
De que a vida é uma cantiga.
São João anda na roda!
Tenho um craveiro no peito
Que dá cravos todo o ano;
Só os dou ao mneu amor
Se ele me der um desengano.
Aos abraços vou dançando-
Mas sem deixar de fixar
Os olhos da cantadeira,
Vermelha, fresca, sadia,
Como castelo vermelho
De uma linda melancia!...
Sobem foguetes. As bocas e os corações
Vibram atafulhadinhos
De sonhos e promessas.
E até os corpos incharam
No desejo de beijar...
António Botto
"Canções e Outros Poemas"
Edição, cronologia e introdução de Eduardo Pitta
segunda-feira, 9 de junho de 2008
O DIA DA RAÇA
Foi no tempo de Salazar que o feriado do 10 de Junho passou a ser conhecido como o "Dia da Raça". Num país cinzento e apagado havia que recuperar a memória da "nação valente e imortal" de outrora. Por isso Salazar criou o "Dia da Raça" para diferenciar o glorioso povo português do resto dos europeus.
Em pleno século XXI um novo governante faz renascer das cinzas a velha e infeliz expressão.
Eu gostaria de perguntar ao Sr. Silva: O que é para si a raça?
É o branco, grunho, que se embebeda na tasca e vai para casa dar porrada na mulher?
Ou será o português, católico, devoto de Nossa Senhora de Fátima, homofóbico, machista, zelador da moral e dos bons costumes mas que não hesita em pôr os palitos à mulher com a loiraça de mamas grandes do andar de cima?
Um Bom Feriado para todos.
sábado, 17 de maio de 2008
DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A HOMOFOBIA

Busquei na saudade funda
Que os seus olhos me deixaram
A coragem -
E a firmeza resistente
Pra fugir da sua vida.
Agora, já sou aquele
Que os outros querem que eu seja:
Normal, um pobre diabo
Que obedece ao preconceito
Moralíssimo, profundo,
De beijar a eterna esfinge...
- Já deixei o meu amor,
Já fiz a vontade ao mundo.
António Botto
Foto: Howard Roffman
Esperemos que um se possa amar em paz e não seja mais necessário "fazer a vontade ao mundo".
Eu sei que o poema está repetido mas achei-o indicado para assinalar a data.

«No dia 17 de Maio de 1990, a Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais. Esta acção pôs fim a mais de um século de homofobia médica. Prosseguindo esta decisão histórica, os proponentes pretendem que o Alto Comissariado para os Direitos Humanos e que a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas condenem também a homofobia nas suas vertentes política, social e cultural, reconhecendo este Dia Mundial Contra a Homofobia. A decisão da OMS constitui uma data histórica e um símbolo forte e por isto a proposta é que este Dia Mundial tenha lugar anualmente no dia 17 de Maio.»
quarta-feira, 14 de maio de 2008
DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS
sábado, 10 de maio de 2008
PARABÉNS AMIGAS

sexta-feira, 25 de abril de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
DESAFIO LITERÁRIO

A Memory lançou-me um desafio que consiste em eleger 5 escritores ou livros da minha preferência e um livro ou escritor que deixaria apodrecer na prateleira. Decidi aproveitar o facto de hoje se assinalar o Dia Mundial do Livro para responder a este repto literário.
Estes desafios não são fáceis pois há tanto por onde escolher. Claro que nesta lista não estão todos os meus favoritos apenas aqueles que por um motivo ou por outro estão a mexer ou já mexeram comigo.
Quem conhece os meus blogues já deve ter reparado na importância que a poesia tem para mim. Podia mencionar aqui dezenas e dezenas de poetas que eu gosto mas vou apenas referir um:
António Botto, porque sempre me senti tocado pelas suas "Canções", pela sensibilidade, sensualidade e amor homoerótico.
Eça de Queiroz, porque é omeu escritor português favorito em prosa. Ainda em adolescente, numa fase de revolta anarquista contra o governo, sociedade e religião, deliciei-me com os pecados perversos de um padre chamado Amaro. Em seguida devorei prácticamente toda a obra dele, incluindo os tão odiados "Maias". O retrato e a sátira social, tornam-se por vezes um pouco assustadores ao percebermos que muitos dos piores vícios daquela altura ainda estão hoje tão actuais.
O Processo, Franz Kafka. Já o li há muitos anos, mas infelizmente o nosso mundo está constantemente a recordá-lo. Há tantos senhores K. a sentir as injustiças deste mundo.
Claro que a propósito do livro tinha que recordar o filme do grande Orson Welles.
Joaquim Pedro de Oliveira Martins. Um dos grandes nomes da famosa Geração de 70, escreveu, já muito perto do fim da sua vida, este livro sobre "Os Filhos de D. João I". O rei que iniciou a dinastia de Avis, é a personagem da História de Portugal que mais me fascina.
O casamento com D. Filipa de Lencastre, a glória de Ceuta, o desatre de Tânger e as intrigas que levaram à morte do Infante D. Pedro em Alfarrobeira. Tudo isto num simples livro sobre um dos períodos mais interesantes da nossa história.
Oscar Wilde, não precisa de apresentações, está nesta lista porque é um dos maiores vultos da literatura mundial e não foi há muito tempo que reli "O Retrato de Dorian Gray".
Na minha prateleira não apodrecem livros, porque se sei que não gosto, nem sequer entram cá em casa.
É o caso de todas essas pessoas que lançam livros só porque um dia apareceram na televisão ou nas revistas e se julgam famosos. Não preciso de os nomear os casos são conhecidos:
A amante do dirigente desportivo, que com dor de cotovelo, decide escrever um livro a contar os podres e os hábitos flatulentos do mesmo.
A tiazinha de Cascais que quase nasceu numa barraca mas tem a mania de escrever livros de etiqueta.
E essa tão amada escritora do "social light", que se julga um grande vulto da literatura, só porque vende tantos livros como o Tony Carreira vende discos.
terça-feira, 22 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
O BEIJO
Entras como um punhal
até à minha vida.
Rasgas de estrelas e de sal
a carne da ferida.
Instala-te nas minas.
Dinamita e devora.
Porque quem assassinas
é um monstro de lágrimas que adora.
Dá-me um beijo ou a morte.
Anda. Avança.
Deixa lá a esperança
para quem a suporte.
Mas o mar e os montes…
isso, sim.
Não te amedrontes.
Atira-os sobre mim.
Atira-os de espada.
Porque ficas vencida
ou desta minha vida
não fica nada.
Mar e montes teus beijos, meu amor,
sobre os meus férreos dentes.
Mar e montes esperados com terror
de que te ausentes.
Mar e montes teus beijos, meu amor!…
Fernando Echevarria
Ai, como eu te queria toda de violetas
E flébil de cetim…
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem jóias pretas…E tão febril e delicada
Que não pudesses dar um passo -
Sonhando estrelas, trantornada,
Com estampas de cor no regaço…
Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas -
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas…
Ah! que as tuas nostalgias, fossem guizos de prata -
Teus frenesis, lanjoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata…
………………………………………………………………..
Teus beijos, queria-os de Tule,
Transparecendo carmim -
Os teus espasmos de seda…
- Água fria e clara numa noite azul,
Água, devia ser o teu amor por mim…
Mário de Sá-Carneiro

Quanto, quanto me queres? - perguntaste
Numa voz de lamento diluída;
E quando nos meus olhos demoraste
A luz dos teus senti a luz da vida.
Nas tuas mãos as minhas apertaste;
Lá fora da luz do Sol já combalida
Era um sorriso aberto num contraste
Com a sombra da posse proibida...
Beijámo-nos, então, a latejar
No infinito e pálido vaivém
Dos corpos que se entregam sem pensar...
Não perguntes, não sei - não sei dizer:
Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.
António Botto
Tu choravas e eu ia apagando
com os meus beijos os rastos das tuas lágrimas
– riscos na areia mole e quente do teu rosto.
Choravas como quem se procura.
E eu descobria mundos, inventava nomes,
enquanto ia espremendo com as mãos
o meu sangue todo no teu sangue.
Não sei se o mundo existia e nós existíamos realmente.
Sei que tudo estava suspenso,
esperando não sei que grave acontecimento,
e que milhares de insectos paravam e zumbiam nos
meus sentidos.
Só a minha boca era uma abelha inquieta
percorrendo e picando o teu corpo de beijos.
Depois só dei pela manhã,
a manhã atrevida
entrando devagar, muito devagar e acordando-me.
Desviei os meus olhos para ti :
ao longo do teu corpo morriam as estrelas.
A noite partira. E, lentamente,
o sol rompeu no céu da tua boca.
Albano Martins
Teus olhos, borboletas de ouro, ardentes
Borboletas de sol, de asas magoadas,
Pousam nos meus, suaves e cansadas
Como em dois lírios roxos e dolentes…
E os lírios fecham… Meu amor não sentes?
Minha boca tem rosas desmaiadas,
E as minhas pobres mãos são maceradas
Como vagas saudades de doentes…
O silêncio abre as mãos… entorna rosas…
Andam no ar carícias vaporosas
Como pálidas sedas, arrastando…
E a tua boca rubra ao pé da minha
É na suavidade da tardinha.
Um coração ardente palpitando…
Florbela Espanca
Um rapaz beijou-me ontem à tarde
E o seu beijo era um vinho perfumado
Tão longamente bebi nesses lábios o vinho do amor
que ainda agora me sinto embriagada.
Anónimo - Grécia (séc. I a.c.)
Trad. Jorge Sousa Braga

Morrer de amor
ao pé da tua boca
Desfalecer
à pele
do sorriso
Sufocar
de prazer
com o teu corpo
Trocar tudo por ti
se for preciso
Maria Teresa Horta
UM BEIJO A TODOS.
sexta-feira, 28 de março de 2008
O SUICÍDIO DE VIRGINIA WOLF

"Recorro aos dias em que não bebi tanto como hoje para não merecer nada do que digo, presto homenagem ao meu instinto por aquilo que não faço, roer a corda do que me prende ao que quero ser, para que possa finalmente ser o que sou.
Será que quando o for... vou querer morrer?"
Virginia Wolf
28 de Março de 1941, a escritora Virginia Wolf suicida-se por afogamento no rio Ouse em Inglaterra.
Hemingway, Sylvia Plath, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Antero de Quental, Reinaldo Arenas, Camilo Castelo Branco, Chatterton, Emilio Salgari e Mishima são apenas alguns nomes de grandes escritores que cometeram suícidio.
Eu costumava dizer que suicídio é "morte de escritor", porquê?
Será que é a depressão que leva à escrita, ou a escrita que leva à depressão?
sábado, 23 de fevereiro de 2008
A CIDADE

A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.
José Afonso (02.08.1929-23.02.1987)
Como já tinha homenageado o Zeca por outras paragens não me quis repetir. Acontece que encontrei por aí este poema e não resisti, é um dos meus preferidos do Zeca.
Foto: Pode não ser grande coisa mas é minha.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
HAPPY VALENTINE!
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
CARNAVAL TUGA
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
O PAÇO
D. Carlos, D. Luís Filipe e o infante D. Afonso à saída do Palácio da Vila, Sintra, 1905. Fotografia de António de Novaes. Por falar em Sintra e no dia em que se assinalam os cem anos do regicídio, uma fotografia do Rei D. Carlos no Paço de "Cintra".
Quem conhece o Palácio pode ver o quanto este mudou nos últimos cem anos.









