sexta-feira, 28 de março de 2008

O SUICÍDIO DE VIRGINIA WOLF


"Recorro aos dias em que não bebi tanto como hoje para não merecer nada do que digo, presto homenagem ao meu instinto por aquilo que não faço, roer a corda do que me prende ao que quero ser, para que possa finalmente ser o que sou.

Será que quando o for... vou querer morrer?"


Virginia Wolf


28 de Março de 1941, a escritora Virginia Wolf suicida-se por afogamento no rio Ouse em Inglaterra.

Hemingway, Sylvia Plath, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Antero de Quental, Reinaldo Arenas, Camilo Castelo Branco, Chatterton, Emilio Salgari e Mishima são apenas alguns nomes de grandes escritores que cometeram suícidio.

Eu costumava dizer que suicídio é "morte de escritor", porquê?
Será que é a depressão que leva à escrita, ou a escrita que leva à depressão?

21 comentários:

pinguim disse...

O suicídio é dos poucos temas que me custa debater, não porque não tenha opinião, mas por eu próprio não acreditar nela (na minha opinião...)
Abraço.

rato do campo disse...

Esta senhora faz parte da minha vida há tanto tempo que nem me lembrei que era 28 de Março quando peguei ali num dos diários dela, antes do almoço... Faz parte da rotina... Abraço!

Moi disse...

Desabafar a solid�o, num mundo paralelo de tristezas sentidas, depostas noutro n�s... o "fechamento" aos outros, o abandono de si, a insustent�vel leveza da l�gica...

...a vida num fio, linhas no papel e pedras nos sapatos (neste caso, bolsos!)... e � s� deixarmo-nos ir...

Sem sucess�o causal.
Agradecemos a mem�ria K. Abra�o.
(sempre bom lembrar - os que nos deixam as mais belas imagens interiores)

gitas disse...

Os artistas, neste caso escritores, têm a alma atormentada.
Beijos

Paulo disse...

Não creio que exista uma relação directa entre a depressão e a escrita, embora ache que seja preciso sensibilidade para escrever, uma sensibilidade que impede que as coisas simples sejam simplesmente simples, que a vida seja linear e fácil. A sensibilidade atormenta de uma forma que às vezes torna a vida insuportável...


Abraço e bom fim-de-semana

socrates dasilva disse...

A ideia de suicidio é tramada. Quando se pensa que não vale a pena lutar, quando este mundo parece um quarto fechado sem janelas, quando não há motivação sequer para respirar...
abraço

André Benjamim disse...

Olá Special K

Na minha opinião, a depressão leva à escrita (não quer dizer que conduza necessariamente à escrita), e esta alimenta-a (à depressão)... torna-se um ciclo vicioso...

Gosto da ideia do Paulo, acho que sim, que a sensibilidade por vezes torna a vida simplesmente insuportável...

oh pinguim... agora fiquei com curiosidade!

Abraço

Special K disse...

Pinguim: Eu também não acredito, só poderia pensar nisso num caso extremo de sofrimento devido a doença terminal.
Um abraço

Special K disse...

Amigo Rato do campo, podes crer que são boas rotinas.
Um abraço.

Special K disse...

Moi: Meu amigo, infelizmente para eles, não lhes chega "desabafar Desabafar a solidão, num mundo paralelo de tristezas sentidas".
Gosto de lembrar quem nos deixa "as mais belas imagens interiores", é isso ser escritor.
Um abraço.

Special K disse...

Gitas: Quantos a não têm.
Um beijo.

Special K disse...

Paulo: Eu creio que existe. A depressão leva as pessoas a procurar uma fuga para os seus sentimentos, isso acaba por levá-los à arte. Não admira que os muitos dos grandes artistas tenham levado vidas de grande sofrimento que acabaram em suícidio, álcool, overdose ou morte prematura.
Tens muita razão, a sensibilidade pode mesmo tornar a vida insuportável.
Um abraço.

Special K disse...

Sócrates da Silva: Eu acho que vale sempre a pena lutar. Um abraço.

Special K disse...

André Benjamim: Como disse ao Paulo também acredito que a depressão possa levar à escrita ou a qualquer outra arte. É curioso o teu comentário pois de facto uma pode alimentar a outra.
Um abraço.

CamilaLopez disse...

Olá! Achei muito interessante o seu questionamento porque estava conversando com um amigo meu sobre algo similar. Meu amigo é pintor e estava contando que quando está apaixonado é mais "produtivo artisticamente", ou seja, pinta mais e melhor. Eu respondi que comigo acontecia o contrário: quando estou triste é que a vontade de escrever é mais forte, mais irresistível. Não chegamos a nenhuma conclusão, mas deve ser porque a arte e a escrita são artes diferentes ou porque nós dois somos pessoas diferentes, não sei... Até mais! PS: Cheguei ao seu blog por acaso e adorei! Desculpe o comentário muito longo...

Paracletus disse...

Não creio que haja uma relação linear entre ambos. Tudo depende das circunstâncias de quem escreve.
E já agora uma adenda: de todos os escritores enunciados, o único que não se suicidou por motivos pessoais foi Yukio Mishima...

Special K disse...

Camila Lopez: Obrigado pela visita e pelo comentário.
O que dizes só vem provar uma coisa; que a arte nasce das emoções.
Beijos.

Special K disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Special K disse...

Paracletus:
Meu caro amigo, como disse no comentário anterior, as emoções levam à arte, por isso talvez haja mesmo uma ligação entre ambas.
Há várias razões para o suícidio; O famoso Hara-kiri ou o seppuku, têm as suas motivações na honra pessoal ou familiar, que são questões muito importantes na cultura japonesa. Ainda assim, Mishima, não deixa de ser um escritor suícida, por isso está na lista.
obrigado pelo teu comentário.
Um abraço.

André Benjamim disse...

o mishima não se suicidou por questões pessoais?!? foi então porque questões?! patrióticas? o mishima fez da sua vida um teatro... morreu teatralmente! morreu porque não aguentava mais a sua vida. morreu porque colocava no seu país as esperanças que já não tinha para si mesmo. o mishima desde novo que tinha ideia de se suicidar! seja qual for o motivo último, que pode ser objectivo, foram os motivos íntimos, subjectivos, e pessoais que o conduziram ao suicidio. o mishima suicidou-se, definitivamente, por motivos pessoais.

abraço.

Special K disse...

André benjamim: Não posso deixar de te dar razão, sejam quais forem as razões um suícidio é sempre uma coisa pessoal.
Um abraço.