
A tarde começou um pouco agitada. Após sair do trabalho foi uma correria para chegar cedo a Algés e ter tempo de comer qualquer coisita antes do concerto.
O "Special", indeciso, que chega a demorar uma eternidade para escolher um restaurante, entrou logo num dos primeiros que lhe apareceu pela frente. A sala nem estava cheia mas tive logo um mau pressentimento quando comecei a ver pessoas a entrar e sair logo de seguida do restaurante. Para despachar pedi logo uma dose de sardinhas, que eu calculei ser o prato de peixe mais rápido. Entretanto a sala foi enchendo e logo verifiquei que a maioria das pessoas que chegavam também iria ao concerto do Leonard Cohen.
Entretanto o tempo e as cervejas iam passando e nada de sardinhas. Durante uma hora, e com a sala cheia, só um casal que já lá estava antes de mim foi servido com dois bitoques. Quando, após uma hora, o empregado me diz que o prato ainda estava demorado pois tinham duas salas e as pessoas que estavam na outra tinham chegado primeiro. Fiquei furioso, mas como sou demasiado civilizado, paguei o pão e as cervejas e saí a correr para o local do concerto com a barriguinha bem cheia... De cerveja.

Já dentro do recinto foi só tempo de comprar mais uma cervejita para enganar a fome e chegar-me à frente. Para minha grande surpresa o concerto começou exactamente à hora marcada.
apesar de saber que ele já ia nos 73 anos, a primeira coisa em que reparei quando Cohen entrou ao som de "Dance me to the End of Love" foi como ele estava velho. Mas não tardei a constactar que a velhice estava apenas no aspecto exterior. Por dentro o músico canadiano continua um jovem e isso nota-se logo nos sorrisos de agradecimento aos muitos aplausos vindos do público.

Sem grandes ecrãs ou espectaculares efeitos de luzes deu logo para entender que o que ali se celebrava era a voz, a música e a poesia do velho trovador canadiano. O concerto foi um desfilar dos maiores clássicos de Cohen com "Hallelujah" e "Suzanne" como os dois momentos mágicos da noite. Mágico também foi "Boogie Street" um doce dueto com Sharon Robinson, uma das três vocalistas do coro de Cohen e "I'm Your Man" cantado em coro pela assistência.
Foi mesmo uma noite memorável. Leonard Cohen was my man!
No encontro de gigantes marcado para ontem apenas houve vencedores. Pelas crónicas que já li parece que o "Berlin" ao vivo do Lou Reed também foi memorável.
Aí está mais uma daquelas ocasiões em que a escolha pode dar uma enorme dor de cabeça.
