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sexta-feira, 23 de maio de 2008

GIMME SHELTER


«Oh, a storm is threatning
My very life today
If I dont get some shelter
Oh yeah, Im gonna fade away»


Rolling Stones, "Gimme Shelter".
"Let it Bleed", 5 Dezembro de 1969.

6 de Dezembro de 1969, a tragédia de Altamont acabava com o verão do amor. Chegara ao fim uma época de grandes revoluções sociais na América e no mundo.
A morte de Brian Jones, alguns meses antes ainda estava na memória de muitos. Os Stones começaram em Novembro desse ano uma tournée americana que deveria terminar no dia 6 de Dezembro com um festival gratuíto em Altamont na Califórnia.


Santana, Jefferson Airplane, Flying Burrito Brothers e Crosby, Stills, Nash & Young eram as bandas escaladas para actuar perante as 300.000 pessoas que compareceram em Altamont.
Depois de três mortes acidentais o jovem Meredith Hunter é mortalmente esfaqueado por um dos Hells Angels, responsável pela segurança do evento durante o concerto dos Stones.

No dia anterior tinha sido lançado o álbum "Leet it Bleed", para mim um dos melhores da história da banda e que marcou a transição entre Brian Jones e o Bluesbreaker Mick Taylor.
"Gimme Shelter" é a faixa de abertura do disco e também a que dá nome ao documentário dos irmãos Maysles que cobre os acontecimentos de Altamont.

Como proféticamente cantava Jagger "muder is just a shot away"

quarta-feira, 21 de maio de 2008

AOS ESTUDANTES PORTUGUESES


Fado Despedida do 5º Ano Juridico

Neste Maio de revoltas estudantis, uma palavra para todos aqueles que se rebelaram contra o sistema vigente e lutaram por um mundo um pouquinho melhor:

Aos jovens da greve académica de 1907 que deram mais um abanão numa monarquia já em avaçado estado de decadência.

Aos jovens da década de sessenta que durante as várias crises de 1962, 65 e 69 abalaram um regime cinzento e fizeram mexer a cinzenta sociedade portuguesa.

Aos jovens da "geração rasca" que combateram a Ministra Ferreira Leite e ousaram mostrar o rabo ao Grilo. Quantos de vocês que me lêm eram estudantes naquela altura?
Para todos eles as

FLORES PARA COIMBRA

"Que mil flores desabrochem. Que mil flores
(outras nenhumas) onde amores fenecem
que mil flores floresçam onde só dores
florescem.

Que mil flores desabrochem. Que mil espadas
(outras nenhumas não)
onde mil flores com espadas são cortadas
que mil espadas floresçam em cada mão.

Que mil espadas floresçam
onde só penas são.
Antes que amores feneçam
que mil flores desabrochem. E outras nenhumas não."


Manuel Alegre
Flores para Coimbra

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A EMANCIPAÇÃO FEMININA E A REVOLUÇÃO SEXUAL


Durante a Segunda Guerra Mundial, com a Europa práticamente rendida às forças alemãs, a Inglaterra teve que suportar um brutal esforço de guerra. A maior parte dos homens estava na frente de combate mas o país não podia parar. Assim as mulheres tomaram o lugar dos homens nas fábricas, nos estaleiros, a conduzir comboios ou a operar máquinas. A industria bélica estava mais activa que nunca e eram as mulheres que construiam os tanques, as armas e os aviões.
Com os homens fora eram elas que agora tomavam o lugar deles.


Depois da guerra nada voltou a ser como dantes. Se precisaram delas naquela altura de crise não era agora que as mulheres iam permitir que as relegassem de novo para segundo plano.


A verdadeira revolução feminina começou quando Katherine Mccormick e Margaret Sanger desafiaram e financiaram o cientista Gregory Pincus para que criasse uma pílula contra a gravidez que fosse fácil de usar, eficiente e barata.

O trabalho de Pincus deu frutos e em 1957 era aprovada a venda do Enovid-10, um contraceptivo oral vendido como um medicamento para complicações menstruais. Só a 18 de Novembro de 1960 seria abertamente aprovada a sua venda como método contraceptivo.

Com a pílula a mulher estava agora livre para viver em pleno a sua sexualidade sem o receio de engravidar. A generalização do uso do contraceptivo oral não foi fácil, perante a resistência da igreja e da sociedade machista, muitas mulheres foram obrigadas a tomá-lo à revelia dos próprios maridos.

Em 1967, apenas alguns meses antes do início dos protestos do Maio de 1968, era aprovada a venda da pílula em França.



A pílula foi a grande invenção que permitiu a libertação da mulher e conduziu à grande revolução sexual que levou ao Maio de 68 e ao "Verão do Amor".

Em 1969 a revolução sexual e a contestação à guerra do Vietname atingiam o seu auge com 3 dias de amor, paz e música, em Woodstock, uma pequena localidade rural do Estado de Nova Iorque.



Canned Heat - Going up the Country

sexta-feira, 2 de maio de 2008

MAIO DE 68

"Sous les pavés, la plage"
Boulevard Saint-Michel, 4 Maio, 1968
Foto de Robert Doisneau



1968, um grupo de jovens da Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, descontente com o facto de não poder conviver com as raparigas no mesmo dormitório, iniciou um protesto contra o reitor. Quando este chamou a polícia iniciaram-se os confrontos, a repressão que se seguiu levou ao encerramento da universidade mas o rastilho estava já aceso e era impossível apagá-lo. No dia 2 de maio de 1968, os protestos chegam à Sorbonne.

Em solidariedade com os colegas de Nanterre, os estudantes tomam a universidade e formam barricadas para resistir às forças policiais. Seguem-se vários dias de batalha campal com gás lacrimogénio e cocktails molotov.

13 de Maio de 1968, os trabalhadores franceses iniciam uma gigantesca greve e juntam-se assim aos protestos dos estudantes.

Por todo o lado começam a surgir os ecos da revolta parisiense: Alemanha, Itália, Polónia, Checoslováquia e Estados Unidos, começam também a sentir os ventos de mudança.

Nos Estados Unidos, 1968, foi um ano agitado pelas mortes de Marthin Luther King e Robert Kennedy. Vários motins alastram por todo o país enquanto crescem os protestos contra a guerra do Vietname.
Foi na Universidade de Columbia que se deram as principais manifestações estudantis em resposta à descoberta de uma ligação entre a universidade e o Pentágono.

Tanques em Praga


Em Abril de 1968 nascia na antiga Checoslováquia a esperança numa nova forma de socialismo com uma "face mais humana". Alexander Dubcek, era o líder do Partido Comunista checo, foi ele que iniciou as reformas que ficariam conhecidas pela "Primavera de Praga". Durante cerca de quatro meses os checos viveram um sonho de democracia: Liberdade de imprensa e tolerância religiosa eram algumas das propostas de Dubcek para a nova Checoslováquia. Em Agosto, Brejnev respondia com tanques contra o sonho de liberdade dos checos.


Liberdade sexual, emancipação feminina
Foto de Robert Doisneau


1968, foi um ano que mudou o mundo. Os jovens finalmente conseguiam transformar a sociedade. Apesar de muitos países já viverem em democracia, foi só a partir desta data que muitas destas liberdades passaram a estar asseguradas.


Liberdade de expressão
Liberdade sexual
Igualdade de género
Corte com os valores das décadas passadas
Igualdade social
Fim da guerra no Vietname
Melhores condições de ensino
Menor intervenção da religião no estado e na sociedade


Será que o mundo precisa de um novo Maio de 68?