
Aparecem como um furacão, vivem intensamente e morrem jovens. Jimi Hendrix, Jim Morrison, Kurt Cobain, Janis Joplin, Nick Drake ou os Buckley. Destes, só alguns ficaram famosos mas todos eles criaram uma espécie de culto à sua volta, deixando uma grande legião de fãs que os adora como se fossem os novos deuses do Olímpo.
Entre os deuses do Rock, encontra-se este senhor que dava pelo nome de Ian Kevin Curtis.
Corria o ano de 1976, Bernard Sumner, Peter Hook, Ian Curtis e Stephen Morris, quatro jovens de Manchester, decidem formar uma banda a que dão o nome de "Warsaw". Como já havia uma banda com nome parecido, o nome é alterado para Joy Division.
Tony Wilson, que havia fundado recentemente a "Factory Records" não perde tempo em contratar a nova promessa da música britânica. Segundo reza a lenda o contracto foi assinado com o próprio sangue de Wilson.
Em 1978, sai "Unknown Pleasures", o primeiro álbum da banda. Neste belíssimo disco já é bem visível o lado negro e depressivo de Curtis, através das suas letras. Temas como "Disorder", "New Dawn Fades" ou "She´s Lost Control" já adivinhavam que algo estava a mudar na música que se fazia na altura.
No dia 18 de Maio de 1980 Ian Curtis enforca-se na sua cozinha. Horas antes, chegara a casa, abrira uma garrafa de whisky, que bebera ao som de "Idiot" do Iggy Pop. Sabe-se também que viu na televisão, o filme "Stroszek" de Werner Herzog, antes de se suicidar.
Deixou apenas uma pequena nota onde se podia ler: "Já não aguento mais".
O colapso do seu casamento com Deborah Curtis e as constantes crises de epilépsia são os mais fortes motivos apontados para o suícidio do músico britânico, tinha apenas 23 anos.
"Closer", o segundo álbum da banda seria posto à venda pouco tempo depois da morte de Curtis, já a sua estrela brilhava no Olímpo do Rock n' Roll.
Esta semana estreia finalmente nas salas portuguesas "Control", o "biopic" de Anton Corbijn, com Sam Riley no papel de Curtis.

Sobre Curtis ficaram as palavras de Al Berto:
"depois dança contorce-se embriagado
cobre o rosto suado com a ponta dos dedos espalha
sangue e cuspo construindo a sua derradeira máscara
cai para dentro do seu próprio labirinto
como se a verticalidade do corpo fosse um veneno"
Quanto a mim, só espero que "o amor nunca nos separe".
